O golpe militar de 25.04.74

O 25 de Abril de 1974 foi feito para dar resposta ao problema da Guerra Colonial.

Este problema passava por três razões principais que estão na origem do golpe militar:

i) o descontentamento dos oficiais do Quadro Permanente com o Decreto-lei n.º 353/73, de 13 de Julho de 1973, assinado pelo Ministro da Defesa, General Sá Viana Rebelo, que permitia aos capitães milicianos integrarem as armas de Infantaria, Cavalaria ou Artilharia depois de um curso intensivo de dois semestres na Academia Militar. A lei veio facilitar aos alferes milicianos a progressão rápida às patentes de oficial subalterno (Tenente) e classe de capitão (Capitão), pela necessidade do Exército de mais oficiais nos três teatros de guerra no Ultramar, Guiné, Angola e Moçambique;

ii) a infiltração do Partido Comunista e dos seus satélites de extrema-esquerda, quer no seio da hierarquia das Forças Armadas (FAs) no Continente, quer nas províncias ultramarinas, que pretendiam minar a moral e a estrutura das FAs para que, depois de deposto o regime do Estado Novo sob a liderança de Marcello Caetano, o Ultramar fosse entregue directamente, numa passagem formal de soberania, aos movimentos de libertação patrocinados por Moscovo, nomeadamente o PAIGC na Guiné, o MPLA em Angola e a FRELIMO em Moçambique;

iii) a crescente evasão dos jovens ao Serviço Militar, fugindo para o estrangeiro a salto para evitar terem de ir combater em África, era um sintoma de um mal estar e de um sentimento de revolta crescente entre a população de Portugal Continental.

Como afirmei, o golpe militar em 25 de Abril de 1974 foi realizado para terminar a guerra. O trabalho do PCP junto das FAs, nos meses anteriores ao golpe levado a cabo pelo Movimento dos Capitães, tinha gerado desmotivação e minado a vontade de combater em sectores significativos das FAs.

Uma noite e uma manhã depois das 22h55 de 24 de Abril (João Paulo Diniz, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, anuncia “Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus»”), mais precisamente na tarde do dia 25, durante as operações militares no Quartel do Carmo para a captura do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a população de Lisboa aderiu em massa ao golpe, os cravos vermelhos distribuídos foram colocados nos canos das metralhadoras, transformando o golpe militar, bem sucedido, na “Revolução dos Cravos”.

A Junta de Salvação Nacional (presidida pelo General António de Spínola, constituída também pelos generais Francisco da Costa Gomes e Manuel Diogo Neto, Brigadeiro Jaime Silvério Marques, Coronel Carlos Galvão de Melo, Capitão-de-Mar-e-Guerra José Pinheiro de Azevedo e Capitão-de-Fragata António Rosa Coutinho), após a queda de Caetano, foi mandatada pelo Movimento das Forças Amadas (MFA), a organização de oficiais revoltosos infiltrados pelo PCP que realizou o golpe militar, para implementar o Programa do MFA.

O Programa do MFA definia os objectivos políticos para a governação do país liberto do Estado Novo: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver, os três Ds!

Rapidamente, nos meses que se seguiram ao golpe militar transformado em “Revolução de Abril”, os militares assumiram o papel de políticos para liderar as novas instituições revolucionárias.

Procuraram, com sucesso, esconder (auxiliados na tarefa pelos comunistas de Álvaro Cunhal e pelos socialistas de Mário Soares) as verdadeiras razões. Puseram em andamento uma narrativa revista das razões históricas que levaram “o povo português” a fazer a “Revolução” e o MFA a descolonizar rapidamente, entregando o Império aos movimentos de libertação, sem escuta prévia às populações locais, colocando os novos países africanos independentes na órbita da União Soviética.

Essas razões, que são parte do ADN da esquerda, nessa época orientada mundialmente pelos ventos que sopravam de Leste, eram:

iv) libertar o povo português da opressão e do obscurantismo da Ditadura (Estado Novo) no Continente, nas Ilhas e no Império ultramarino, apenas por motivações de dever moral e humanista, devolvendo-lhe a liberdade e a dignidade, acabando com a censura e reorganizando o Estado e os meios de produção para lhe oferecer democracia e progresso;

v) libertar os povos africanos oprimidos, marginalizados, escravizados e empobrecidos pelo colonialismo da Ditadura, entregando o Poder e a soberania aos legítimos representantes desses povos, os líderes dos movimentos de libertação (alinhados com a URSS), um imperativo apenas movido pelo dever moral e pela solidariedade humanista entre o “povo português” e cada um dos povos das ex províncias ultramarinas, para através da sua independência atingirem a emancipação dignificante, a justiça social e o progresso.

Nas últimas 5 décadas, no sistema de ensino em Portugal (e também em parte no Ensino dos novos países africanos independentes do ex Império), pretendeu-se reescrever a História das causas longínquas e das causas próximas do 25 de Abril. Esse desiderato foi conseguido, numa dimensão substancial, entre a população nascida depois de Abril de 74, que acredita hoje que a “Revolução dos Cravos” se deveu às razões iv) e v) atrás referidas!

Tal não correponde à verdade. A intenção deste meu curto texto neste 52º aniversário do golpe militar a 25 de Abril (e posterior revolução do povo) é a de realinhar a narrativa história com a factualidade, expondo a manipulação levada a cabo durante décadas pela esquerda comunista e socialista com o beneplácito dos sociais-democratas.

Se uma mentira repetida inúmeras vezes pode passar a ser verdade, isso apenas acontece quando quem sabe que é mentira não a denuncia e cobardemente se cala!

Referências

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