A reparação histórica é uma piada ideológica!

Segundo António Risério, antropólogo e historiador brasileiro, a escravatura em África é anterior à chegada dos portugueses. A surpresa está em que Risério é de esquerda, não a tese que defende, pois historiadores e autores, assumidamente de áreas políticas mais alinhadas com a direita, que se têm dedicado à História de África e às suas sociedades em geral e ao esclavagismo africano em particular, antes da chegada dos europeus, há muito que defendem esta tese.

Segundo a Wikipédia, António Risério (Salvador, Bahia, em 21 de novembro de 1953) é um antropólogo, poeta, ensaísta e historiador brasileiro. Em 1995, obteve a sua formação em antropologia pela Universidade federal da Bahia. Durante alguns anos trabalhou no sector cultural do Brasil até ser exonerado.

De acordo com Risério, já existiam, em várias regiões africanas, sistemas de escravização antes da expansão marítima portuguesa, frequentemente ligados a conflitos tribais, dívidas ou estruturas sociais locais.

Segundo este conceituado antropólogo baiano, os contactos iniciais dos portugueses com a costa africana revelaram redes de tráfico já estabelecidas, nomeadamente através de rotas transsaarianas e do comércio interno africano.

O ponto mais relevante não está apenas na existência anterior da escravatura, mas na sua transformação. Com a expansão portuguesa a partir do século XV, esse fenómeno foi integrado num sistema global, altamente organizado e orientado para o lucro, que viria a alimentar o tráfico atlântico em larga escala. Essa mudança introduziu uma dimensão económica e racial sem precedentes.

Alguns especialistas na matéria sublinham exemplos que ilustram a complexidade da sociedade esclavagista, como o caso das chamadas “sinhás pretas” na Bahia — mulheres negras ou mestiças que, após conquistarem a liberdade, se tornaram proprietárias de escravos, refletindo uma lógica social onde a posse de cativos era sinal de estatuto.

Risério não tenta negar o papel da Europa na amplificação do sistema, mas chama a atenção para a diversidade das formas e dos agentes envolvidos, nomeadamente refocando a responsabilidade inicial da escravatura.

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