Portugal não é periférico.

Somos um país que tem sido vítima, enquanto nação e povo, da visão míope e limitada daqueles que temos eleito para governar e legislar.

Presidentes, Primeiros Ministros, ministros, governantes, deputados e políticos, naquilo que conhecemos como a classe dirigente, são gente de vistas curtas em que as perspectivas começam e terminam na União Europeia, sujeitos, submissos e viciados nas directivas e nas ajudas de Bruxelas.

Os responsáveis eleitos do executivo e do parlamento e outras individualidades da política e de outras áreas, têm todo este tempo, e vão mais de cinco décadas, ignorado as potencialidades geoestratégicas de Portugal, bem assim como a sua Zona Económica Exclusiva.

De tempos a tempos esta matéria vem à superfície e torna-se moda, o que gera da parte das entidades oficiais e dos agente deste regime, longos e bonitos discursos, narrativas empolgadas e protestos de vontade em desenhar políticas que levem em conta e maximizem a “posição estratégica de Portugal”.

Mas são apenas palavras de circunstância! A classe dirigente em Portugal apenas olha para dentro, sendo o ecossistema da União Europeia os seus limites e a fronteira da sua ambição, sempre tolhidos, limitados e receosos de ir além, num rasgo de visão e de alguma coragem política.

A mentalidade continua formatada pela velha ideia entranhada que Portugal é um país periférico.

O mapa mostra-nos que, num mundo em que a informação corre à velocidade da luz, ao contrário de periférico, Portugal é bafejado por uma centralidade geográfica e por uma potencialidade geoestratégica.

Nação atlântica, a mais ocidental da Europa, Portugal é uma das portas de entrada do Velho Continente.

A sua localização em frente ao continente americano, com os Estados Unidos e o Canadá a norte, o México ao centro e o Brasil a sul, confere a Portugal uma posição de vantagem única. E os Açores, no meio do oceano, constituem um porto de abrigo na vastidão oceânica.

Hoje, o Oceano Atlântico é rasgado pelas mais importantes rotas do globo, sejam elas de transporte marítimo de mercadorias ou de cruzeiros de turismo.

O que falta ao país são políticas e projectos, promovidos pelo Estado, para alavancar a economia com base nas oportunidades que a centralidade geoestratégica de Portugal propicia.

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